quando estranhos me contam estórias é como se eles me dessem presentinhos.
- uma mulher que não pode ouvir uma história de traição que já liga pro marido pra saber o que ele está fazendo, e pra dizer da surra que ele vai levar quando ela chegar em casa...
- a mesma mulher, que sonha com o marido traindo e acorda para bater nele, que acorda assustado, dolorido e sem entender nada...
- a cabeleireira que se apaixonou pelo segurança do colégio em frente, e começou a comprar roupas caras sem poder e a ficar na porta do salão para observá-lo, sem nunca ter falado com ele...
tudo isso enquanto eu pinto minhas unhas de vermelho.
(Rodrigo Maranhão e Pedro Luís)
A paixão é como Deus
Que quando quer
Me toma todo o pensamento
Dirige os meus movimentos
Meu passo é dela
Meu pulso é desse todo poderoso sentimento

há um ano você parecia tão distante, apesar da convivência quase diária... e então você me liga, reaparece de repente, surge no meio das coisas encavalando o instante, quer saber da minha vida, do meu trabalho, todo interessado nas minhas desilusões, planos de vida, opiniões, piadas sem graça. e a risada que nunca muda, e as coisas inusitadas que você anda fazendo por lá, e tudo aquilo que você nunca me contaria se não reaparecesse, e de repente eu me vejo num lugar estranho, em alguma parte do seu mundo matemático. cheiros, luzes, gargalhadas, trilhas para abraços e instantes cheio de carinho completamente datado. e você vai embora de novo num dia ensolarado, e eu sigo feliz sabendo que nada daquilo vai se repetir.
(Caio Fernando Abreu)
Quando mais nada houver,
eu me erguerei cantando,
saudando a vida
com meu corpo de cavalo jovem
E numa louca corrida
entregarei meu ser ao ser do tempo
e a minha voz à doce voz do vento.
Despojado do que já não há
solto no vazio do que ainda não veio,
minha boca cantará
cantos de alívio pelo que se foi,
cantos de espera pelo que há de vir.
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